A Lenda da Rainha das Tainhas a Tainha Dourada
Entre as antigas comunidades de pescadores artesanais, persiste uma narrativa folclórica acerca da existência da "Rainha das Tainhas". Segundo o relato, trata-se de um espécime de coloração dourada que exerceria uma função mística sobre o ciclo de abundância da espécie.
A tradição oral adverte que a captura deste animal, sem a devida devolução ao habitat natural, acarretaria em um longo período de escassez para toda a comunidade pesqueira. Por essa razão, ao avistarem o exemplar dourado, os pescadores optavam por interromper a atividade naquele cardume específico, priorizando a preservação da lenda e a garantia do sustento futuro.
A pesca artesanal da tainha em Santa Catarina é uma tradição secular que une fé, economia e natureza. O ciclo se inicia em maio, quando os cardumes migram do sul em direção ao litoral catarinense para desovar. O sucesso da safra depende de fatores climáticos, especialmente da entrada de frentes frias e do vento sul, que aproximam os peixes da costa.
O processo é coordenado pela figura do olheiro, que monitora o mar de pontos elevados e sinaliza a presença dos peixes para as equipes nas canoas a remo. O momento do lanço, quando a rede é puxada para a areia, envolve a participação voluntária da comunidade e de turistas, que muitas vezes recebem peixes em troca do auxílio no arrasto. Além da importância cultural, a atividade movimenta a gastronomia local, com destaque para a bottarga, produzida a partir das ovas da tainha e valorizada no mercado internacional. Devido à sua relevância histórica e social, a pesca artesanal é reconhecida oficialmente como Patrimônio Cultural Imaterial do estado.
O que você acha sobre essa Curiosidade: Mito ou Biologia?
Você sabia que, embora a lenda tenha um forte componente místico, o fenômeno da "tainha de ouro" pode ter uma explicação biológica?
Xantismo: Na natureza, existe uma condição genética rara chamada xantismo, que causa a perda de pigmentos escuros e o predomínio de tons amarelados ou dourados em peixes.
Preservação Cultural: Para os pescadores, independentemente da ciência, o respeito a essa figura simboliza a sabedoria ancestral de que a preservação de certos indivíduos é essencial para o equilíbrio da biodiversidade e a continuidade da pesca nos anos seguintes.
Além da pesca da tainha a relação entre a pesca da tainha e o surf em Santa Catarina é regida por leis municipais que visam garantir a harmonia entre as duas atividades durante a safra.
Em Florianópolis, a prática do surf é limitada entre os meses de maio e julho, período em que os pescadores artesanais monitoram o litoral em busca de cardumes. De acordo com a legislação local, as praias são classificadas em diferentes modalidades de restrição. Em praias tradicionais para o cerco, como o Campeche, a Lagoinha do Leste e a Prainha da Barra da Lagoa, o surf é totalmente proibido durante o período oficial da pesca.
Bambuzada nax coxtax
Existem praias onde o surf é permitido em regime de convivência, como a Praia Mole e a Joaquina. Nessas localidades, utiliza-se um sistema de sinalização por bandeiras. A bandeira vermelha indica a proibição do surf devido à proximidade de cardumes, enquanto a bandeira branca sinaliza que a prática está liberada.
A restrição ocorre porque a presença de surfistas na água e o movimento das pranchas podem espantar os peixes que se aproximam da arrebentação, prejudicando o sustento das comunidades pesqueiras. O descumprimento dessas normas pode resultar em advertências e apreensão de equipamentos pelas autoridades competentes.
Essa organização é fundamental para preservar a pesca artesanal, que é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Santa Catarina, assegurando que a tradição secular e o esporte coexistam de forma organizada.



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